Tamara Wascemberger, Vitória da Conquista, BA,

Pedal da Sobrevivência.

Tudo começou com a vontade de girar no sábado, geralmente pedalo mais a noite, porém sábado à tarde é sempre um pedal com maiores dificuldades, visto que esse horário o sol está só a misericórdia...
Ao todo foram 10 aventureiros, em uma rota instigante! Pinguela de Nilo, Barrocas e Matinha da Limeira, desses apenas Pinguela de Nilo eu conhecia. De início passamos pela Pinguela, local com sobe e desce íngreme e perigoso, cheio de pedras, areia grossa completamente desnivelado. Na descida fui temerosa em cair e adivinha? Abrir demais na curva e resultado, lona! Cair da bike e nadei na areia uehdnfjrk queda cômica, mas já a subida foi tranquila e até gostosa, relembrando que a dois meses atrás nem sonhava em conclui-la, aliais fora está queda boba todo percurso da pinguela foi show.  Em seguida passamos pela ponte quebrada sentido goiabeira e fomos para a Barrocas., trilha muito boa, com um grau moderado de dificuldade, mas ótima para ganhar velocidade.

Estava tudo indo muito bem, descemos um carreiro lindíssimo coberto de verde, porém de repente algo muito estranho aconteceu, meu coração disparou de forma nunca sentida antes, acompanhada de forte dor no peito e falta de ar.  – Meu Deus! O que será isto! Pensei. Assim parei imediatamente na esperança de meus batimentos normalizarem e tudo voltar ao normal. Confesso que já havia sentido isto antes, mas nem se comparava a intensidade da ocasião. Avistando a turma se distanciar, resolvi sentar no chão e pensei: - E agora? Não quer melhorar. Aguardando melhorar fiquei desta maneira por mais de 20 minutos, pensando que já estava sozinha e teria que me virar para descobrir a saída desta mata linda. Até que em certa altura me sentir em condições de continuar, passei a descer o lindo carreiro que agora me assombrava. Coração ainda acelerado fui descendo, descendo e descendo, até começar a subir, onde a comiseração tomou conto de novo do peito aflito. Ai pronto! Parei de novo e pensei novamente: - Isso não é normal, vou ter que procurar um médico. Contudo neste exato momento não era tão simples, pois estava a mais de 30 km distantes da cidade. Passados mais 20 minutos resolvo caminhar, pois tinha que seguir, era minha única opção. Mas a frente encontro Zé Carlos e Thiago, que voltaram para me ajudar, oferecendo comida, agua e apoio de grande valia.
Melhorzinha seguir em frente numa subida enganosa que parecia reta. Após este sofrimento da subida e do peito que doía menos, mas ainda doía, chegamos ao trecho mais massa da trilha, Matinha da Limeira, um Down Hill para ninguém botar defeito. E desci super bem affs.... Não vejo a hora de voltar lá de novo...
Após essa maravilha de descida, chegamos ao asfalto da BA 465, estrada que liga Vitória da Conquista ao Sul do Estado, em 5 minutos de subida o coração novamente começa a reclamar, mas agora um cansaço físico se apodera de mim e subo semelhante a uma tartaruga. Confesso que foi a pior subida que já fiz na vida, não por ser elevada, mas devido ao estado físico que me encontrava. Zé Carlos e Widson me empurrão durante alguns trechos da estrada, subindo lentamente e trabalhando a mente para não desistir chego no Iogurte (restaurante à beira da estrada), onde paramos para um lanche, assim que me sento começo a passar muito mal, mal mesmo, sem forças para segurar o óculo de sol, começo a enxergar tudo branco e me dá uma vontade louca de me atirar no chão, do lado de fora toda a turma descansava, pensei: - Se eu me jogar a galera vai endoidar e me enlouquecer junto. Na mesma hora aparece Paulo Henrique, ex colega de trabalho perguntando se eu estava passando mal, eu respondo: -Estou por favor me leve para o hospital! Sem hesitação ele retira seu carro da garagem e abre a porta para eu entrar.  Sair andando segurada por Deus para não assustar a turma e digo: - Thau galera vou no hospital, valeu! Bom fim de pedal. Já dentro do carro com Paulo e Esposa eu começo a passar mais mal ainda, meu peito dói como se estivesse sendo esmagado por uma bigorna, sem conseguir respirar direito não tenho forças para falar, ai meus amigos, penso eu que iria morrer, que o próximo passo seria desmaiar, as lagrimas ficam que congeladas entre as pálpebras sem forças para serem derramadas, imaginando o rosto do meu filho sentido a ausência da mãe... Nesse momento apenas uma claridade era o que enxergava, os rostos , a estrada, onde eu estava, já não importava.
Horrível sentir assim, acabaria a vida ali? Com apenas 29 anos deixaria de existir?  Não! Graças e DEUS, eu sobrevivi! Já na emergência fui atendida super-rápido. Sentindo melhor e extremamente agradecida a DEUS por ter sobrevivido, recebo uma ligação. Lembra que no último pedal passei a utilizar o “Beacon” recurso criado visando a segurança do ciclista, fornecendo a localização para um contato de segurança? Pois então, meu contato de segurança me liga querendo saber o que aconteceu. Depois do show de horrores ouvir aquela voz amiga, acalmou meu coração de vez. E é isso gente! Diagnostico de infarto brando, que de brando não teve nada, cinco dias internada e sentença de 30 dias afastada de qualquer esforço para tratar do coração. Muito ciente das mudanças que devo adotar, que sirva de lição para mim e todos aqueles que não consultam um médico antes de iniciar qualquer atividade física. 
Tenho muita fé que tudo dará mais que certo, seguindo todas as recomendações acredito que em Março se DEUS permitir estarei de volta com minha paixão, meu xodó, minha alegria que é PEDALAR.

Visita da turma durante o internamento.

 


 

Type: 
Ride
Workout_type: 
default
Date: 
2017-01-21T16:50:49Z
Avg Pace: 
4:02/km
Elevation: 
485.6
Distance: 
43818.8
Moving time: 
10620
Activity id: 
839781728
Strava title: 
Pedal antes do mal-estar. Se Deus quiser logo estarei de volta.
Total photo count: 
10
Title: 
Pedal da Sobrevivência.
Summary Polyline: 
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Description: 
Pinguela de Nilo/ Barrocas/ Matinha da Limeira
Average speed: 
4.126
Language: 
Portuguese, International
Cover image: 
https://dgtzuqphqg23d.cloudfront.net/ZCgYkZ6Guf-sNU8fkDXcwldtVjN_R7idFyIJSt0PCuQ-1024x768.jpg
Tamara Wascemberger, Vitória da Conquista, BA,

Comments

Nara S Sat, 02/04/2017 - 13:03

Hi Tamara, I'm the developer of Storyteller.
Sorry to read that you had such a scary experience. I'm very happy that you managed to reach the hospital, and that now you are well. Great that your friends were there to help you! Best wishes for a quick recovery, and do take it easy.
Greetings from Amsterdam :-)

(google traduzido)
Oi Tamara, eu sou o desenvolvedor de Storyteller.
Lamento ler que você teve uma experiência assustadora. Estou muito feliz que você conseguiu chegar ao hospital, e que agora você está bem. Ótimo que seus amigos estavam lá para ajudá-lo! Os melhores votos para uma recuperação rápida, e pegue a calma.
Saudações de Amsterdã :-)

Tamara Wascemberger Sat, 02/04/2017 - 19:25

Thank you!
It's a pleasure to share my story with you.
Congratulations on the site.

Jayme Oliveira ?? Sun, 02/05/2017 - 15:35

Wow! Belo relato, Tâmara. E se a experiência em si não foi assim tão bela, com certeza foi das mais importantes. Agora é tomar todos os cuidados possíveis, seguir as orientações médicas e curtir os próximos pedais porque esse mundão tá cheio de lugares bacanas por onde pedalar! :)

Tamara Wascemberger Tue, 02/07/2017 - 20:21

Obrigada Jayme!
Estou seguindo todas as recomendações. Vai dar tudo certo!

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